Guia definitivo do Câncer de Mama

cancer de mama

O câncer de mama é a segunda neoplasia mais frequente e a mais comum nas mulheres. Em 2012 mais de 1,5 milhões de casos foram diagnosticados e a cada ano estima-se que mais de 50 mil casos irão surgir. Apesar da grande incidência, as campanhas de conscientização como o Outubro Rosa têm mostrado a importância da prevenção do câncer de mama, melhorando muito o processo de diagnóstico e tratamento das mulheres, e por consequência, seu prognóstico.

Causas

Em aspectos gerais, o câncer é uma doença que consiste na proliferação desenfreada de células neoplásicas (diferentes das células normais do organismo). A divisão celular dessas populações é tão rápida que ocorrem formações de caroços ou mesmo massas. No caso do câncer de mama, as células mais atingidas são os ductos lactíferos (extratores de leite) e os lobos (produtores de leite).

Embora existam fatores bem delimitados que aumentam a probabilidade do desenvolvimento de câncer de mama, nem toda mulher que os apresente desenvolverá a doença. A causa primária do câncer de mama não foi delimitada ainda, sendo considerada mista (relação genética com fatores externos)

Sintomas

  • Caroços ou inchaço ao autoexame : Embora por vezes possam não ter significado clínico, o autoexame é útil para que a mulher possa, à partir da identificação de uma alteração, procurar um médico para um exame completo.
    • Mudança na textura da mama : Aqui a espessura se altera, chamamos de ‘’mama em casca de laranja’’.
    • Alterações mamilares(perda de secreção, retração, mudança de aspecto, sangramento mamilar)
    • Alteração axilar : Geralmente relacionamos com alterações dos linfonodos axilares.
    Fatores de Risco:

O câncer de mama é um acometimento multifatorial. Ou seja, dificilmente existirá apenas uma causa que explica o aparecimento da doença. Podemos citar, no entanto, fatores que aumentam a probabilidade do desenvolvimento do quadro:

  • Genética: Especialmente relacionado à mutação dos genes BRCA 1 e BRCA 2. Diversos estudos apontam a relação entre câncer de mama e hereditariedade, e mulheres com história familiar apresentam maior risco. Isso vale também para o câncer de mama em homens, entidade rara porém existente, e com prognóstico em geral ruim.
    • Fatores endócrinos: Em especial relacionados ao hormônio feminino, o estrogênio. Diversos tipos de tumores de mama são estrogênio-dependentes, de modo que o nível desse hormônio é indicativo de risco. Podemos citar pacientes que tiveram menarca precoce, uso de terapia de reposição hormonal, menopausa tardia…
    • Sobrepeso
    • Contato com radiação em região torácica
    • Idade (>50 anos)
    • Nulíparas (sem filhos)

Screening

O Brasil conta com diretrizes para o screening específico do câncer de mama. A ideia é rastrear e detectar os casos antes que eles evoluam, fazendo uma prevenção e melhora prognóstica.  O rastreamento no país baseia-se em:

  • Mulheres de 40-49 anos: Devem realizar exame clínico das mamas anualmente, feito por profissional capacitado. Em caso de dúvidas, prosseguir com mamografia
    • Mulheres de 50-69 anos: O exame clínico continua anual, mas a realização da mamografia torna-se obrigatória a cada dois anos.
    • Mulheres de 35 anos ou mais com risco elevado(mutação genética, história familiar de câncer de mama em parentes de 1º grau) : Exame clínico + mamografia anualmente.

Diagnóstico

Partindo da investigação inicial indicada no screening logo acima, a primeira ferramenta em uso é o exame clínico das mamas e dos linfonodos axilares. A mamografia é utilizada principalmente para rastreamento, podendo ser complementada com o US em caso de dúvidas (em caso de mamas muito densas ou quando buscamos saber o conteúdo de um possível cisto).

O exame diagnóstico definitivo é a biópsia do tecido mamário, realizado com uma retirada do tecido usando uma pequena agulha. A análise laboratorial poderá nos elucidar quanto à natureza do tecido.  No momento do diagnóstico firmado de câncer de mama, existem ainda exames que podem ser usados no estadiamento (avaliação do grau do câncer, presença de metástases), como a Tomografia Computadorizada, a Ressonância Magnética…

Tratamento

No Brasil, temos diversos hospitais especializados em oncologia que são muito bem conceituados, como o Hospital do Câncer de Barretos, localizado no interior do estado de São Paulo e o INCA – Instituto Nacional do Câncer.  No primeiro trimestre, chegou no Brasil um tratamento contra o câncer de mama já no estado avançado.

  • Cirurgia: É o tratamento de escolha para a grande maioria dos casos. Em casos de tumores menores, a lumpectomia (retirada parcial de tecido mamário) pode ser realizada. Em casos de risco elevado, tumor muito grande e agressivo ou já espalhado, a mastectomia radical pode ser a opção (retirada de todo o tecido mamário)
  • Radioterapia: Geralmente é utilizada em complementação à retirada de tumores pequenos na lumpectomia.
  • Quimioterapia: É a opção para impedir a metástase e a divisão celular tumoral. Pode ser tanto adjuvante (aplicada após a resolução cirúrgica) ou neoadjuvante (aplicada antes da cirurgia, visando diminuir o tumor). Além disso, é a opção em caso de metástase tumoral.

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